quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quem quer ser um escritor?

Pessoal, minha mãe que lê a revista Seleções me mostrou uma coisa muuuito interessante ontem. É um tipo de reality show, mas com escritores - dez são selecionados de acordo com textos mandados, depois são publicados na revistas, suas criações são analisadas, e assim vai até sobrar só um. Existem prêmios para os dez selecionados, para os três finalistas e para o grande vencedor, claro.

Para participar, mande um email para oaprendiz@selecoes.com.br com nome completo, foto do rosto, idade, grau de escolaridade e profissão, com telefone e endereço.
Imagine que você vai escrever um livro, então, qual seria o primeiro parágrafo? É isso que deve mandar junto para entrar na competição.

Achei muito interessante, espalhem bastante aí, falem pros amigos, postem nos seus blogs também, vale a pena conferir.

Para o regulamento e mais informações, www.selecoes.com.br o/

Agora vou mandar o email de novo, porque percebi que esqueci de mandar foto.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Filmes para ver esse ano

Tava lendo Rolling Stone e vi algumas críticas ali de filmes que já assisti... deu vontade de falar sobre eles aqui (risos).

Guerra ao Terror

É um filme superestimado pra caralho. Não é ruim, mas não justifica ter ganho literalmente dezenas de prêmios ao redor do mundo, incluindo três Globos de Ouro. Conta a história de uma equipe no conflito do Iraque responsável por desarmar bombas. É tenso. As cenas onde o pequeno grupo entra em ação são tensas e muito bem montadas - vide a primeira, com uma explosão em câmera lenta espetacular. O roteiro não é tão sólido quanto eu pensava, principalmente na metade final, onde a coisa desanda um pouco pro melodrama. Se não tivesse ganhado tantos prêmios, seria reconhecido como uma pérola um dia, mas agora já é tarde.
Mas os defeitinhos não comprometem - recomendo que assistam.
Nota: 3/5

Amor sem Escalas
O título nacional já deixa a entender que é uma comédia romântica - mas está longe disso. Também não é um dramalhão. Conta sobre a relativamente tranquila vida de Ryan (George Clooney, ótimo), um cara resposável por demetir funcionários por empresas pelo país. Viaja literalmente 322 dias por ano, e adora isso - é recluso, tem casos aqui e ali, e não sonha.
Quando uma garota de 19 anos de sua empresa lança a proposta de um sistema de demitir funcionários via webcam, ele bate o pé, acabando por ensiná-la a coisa de verdade em suas viagens. Vocês já devem conhecer a tal garota da série Crepúsculo - ela faz a chatinha Jéssica, e aqui, merece um Oscar.
O diretor Jason Reitman equilibra perfeitamente o bom humor, o sarcasmo e o drama, nunca puxando demais para um lado ou pro outro. É um filme realista, divertido, mas triste. Assim é a vida né?
Nota: 4/5

Um Olhar do Paraíso
Peter Jackson pega um projeto mais leve depois da trilogia O Senhor dos Anéis. O drama, baseado num livro, começa com o assassinato de uma garota. Não é tão trágico quanto parece, mas a cena do assassinato é dura de tão seca (se é que isso fez sentido), sem apelar para violência ou gritos em nenhum momento. Tem suspense de roer as unhas, romance de falar "óin", e drama para empurrar uma lágrima ou duas para fora. É quase um exercício de quantos temas um único filme pode abordar.
Mas a verdadeira intenção é mostrar que quando morremos, as pessoas que amamos demoram muito para nos deixar ir - a garota vai para uma espécie de limbo, como um mundo de sonhos, colorido e lindo. Deve caminhar por ele sem olhar para trás, mas é complicado deixar seus pais para trás assim né? Ao mesmo tempo, no mundo real, seu pai começa uma caçada ao assassino da garota.
É uma experiência forte. O filme tem seus defeitos, mas vale os cinco reais da locação.
Nota: 3/5

Zumbilândia
Grata surpresa. Depois de muita repetição em filmes de zumbis, um pouco de originalidade - não por ser uma comédia, já vimos comédias geniais sobre o assunto (vide Todo Mundo Quase Morto), mas aqui a coisa diverte muito mesmo. Os personagens são cativantes, o roteiro apesar de simples, envolve, e a violência serve apenas para criar risos, nunca para assustar.
Já está confirmada uma continuação em 3D (ainda bem). O grupo formado por um garoto, um cara estranho, e duas irmãs, é hilário. Há espaço até para Bill Murray, numa das melhores sacadas do longa. Pra ver com os amigos.
Nota: 4/5

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Abra seus olhos


- Como assim, não é possível? – indaguei.
Estava mais do que histérico com a ideia de voltar. Queria abraçar minha namorada, dar uns pulos, o que fosse, queria reverter a dor da minha partida prematura. Mas estava diante de um pequeno problema.
- Você ouviu direito. – disse-me a voz. – Você pode voltar, mas não ao seu corpo anterior.
- Por que não?! Como vão me reconhecer?
- Não sei jovem. Dê um jeito. Sabe, você está reclamando por nada, nem todos tem a chance de voltar.
- Se voltar já é impossível, achei que ter meu corpo antigo seria a parte mais fácil.
- Não é. Você não quer voltar para ele agora, acredite, a sensação é horrível. Se é que sobrou alguma coisa dele. Seria como assistir “A volta dos mortos vivos”.
Hesito por um momento.
- De onde você tirou todo esse senso de humor? – perguntei.
- Anos de experiência. Você aceita?
- Aceito, sem dúvida.
- Muito bem. Mas vale lembrá-lo de outra coisa.
- O quê?
Dessa vez a voz hesitou.
- O tempo passa diferente aqui e lá. Já se passaram meses desde sua morte, não dias como parece aqui. Não se surpreenda se sua namorada já tenha encontrado outra pessoa, por exemplo.
Pensei por um momento. Não tinha pensado nas coisas dessa forma. Mas deveria estar feliz, afinal, ela teria seguido com a vida. Estaria feliz, e eu deveria estar também.
Lembrei de todas as vezes que estive com ela daqui. É um lugar estranho. Não sinto presença física do meu corpo, não é escuro, mas não é claro, nada é claro. É como se pudesse viajar para qualquer lugar, me sentir lá, mas não necessariamente ver alguma coisa, apenas sentir a presença emocional, nunca material.
Imaginei-me inúmeras vezes com ela. É uma experiência muito forte, como se pudesse senti-la comigo, chorando em meus braços, sem poder fazer nada. Deve ser assim que as pessoas daqui visitam as do outro mundo. Perguntava-me se ela podia sentir minha presença quando eu a visitava, mas nunca soube a resposta.
- Ei – chamei a voz imponente que conversava comigo -, quando eu a abraçava, ela podia me sentir?
- Sim. – respondeu.
Sorri, agora temendo um pouco voltar para minha vida anterior.
- Quanto tempo tenho lá?
- Vai ter o suficiente.
Odeio quando esse cara resolve dar uma de filósofo.
- Estou pronto. – falei.
- Até mais.

**

Abri os olhos e foi como acordar de um sono muito profundo.
Levantei e percebi que estava na beira de uma estrada. Com roupas aparentemente novas, pele um pouquinho mais clara que minha anterior. Passei a mão por meu rosto, tentando definir alguma coisa, sem muito sucesso. Meu cabelo agora era liso e estranho. Não é tão ruim quanto eu esperava. Até ganhei uns músculos a mais nos braços.
Olhei para os lados tentando me localizar, o que não demorou muito. Atrás de mim, a entrada para uma cidade, com a placa verde num suporte alto: “Bem Vindo à Araçatuba”. Sorri, sem saber se meu sorriso era bonito.
Consegui dizer adeus para meus amigos, para meus pais, mas não para ela – e fui mandado diretamente para ela.

Perguntei para algumas pessoas por direções, chegando cada vez mais perto a casa dela. A surpresa foi que minha voz era legal – pelo menos eu gostei de falar com ela. Está aí algo que nunca achei que fosse dizer.
Quando passei pela frente de uma vitrine, não me contive em analisar meu novo visual. Então, percebi a pegadinha. Se aquele cara era Deus, então ele era muito sarcástico. Roupas escuras, pele clara, cabelo liso e preto como a morte... aproximei-me... sombra! Sombra com maquiagem embaixo dos dois olhos!
Sou o perfeito estereótipo de emo.
Nada contra o estilo, o problema é que comecei a me sentir fantasiado. Baguncei meu cabelo o máximo que pude até tirar o aspecto super liso. Entrei no banheiro de um bar para lavar o rosto e em seguida, voltei a meu destino.
Aquelas idéias de que ela já podia ter encontrado outra pessoa voltaram a me atormentar. Algo me dizia no fundo que esse reencontro não seria como eu queria, ou pior, nem seria feliz. Primeiro porque eu teria que explicar a ela meu novo visual dark. Segundo porque talvez seu novo namorado estaria ao lado dela ouvindo a coisa mais sem nexo de sua vida.
Também tem o fato de que posso piorar as coisas.
E se ela já está conseguindo viver bem? E se já está feliz? Minha visita inesperada traria tudo de volta.

Estou parado na frente da casa dela.
Caramba, e agora? Entro, não entro? Arrisco tudo?
Será que isso é um teste? E devo apenas gritar para os céus que não quero mais fazer isso? Ah, tantas perguntas. Avacalho meu novo cabelo com raiva.
Olho para a porta mais uma vez, encostado no muro baixo.
- Algum problema, moço? – uma voz feminina me chama ao lado.
Depois do que não foi muito tempo para mim, ela está ali, linda como sempre. Sorri gentilmente, mas seus olhos parecem tristes, marcados. Espero que seja apenas impressão minha.
- Oi, ah, nada, eu... – tentei me controlar. Não sabia por onde começar. – Eu acho que preciso falar com você.
- Você acha?
- Sim... – suspirei. – Algo muito sério.
Seu rosto mudou, endureceu.
- Ok. Fale.
- Não aqui. Seu pai não vai gostar. – sorri, mas percebi que isso era algo que o Jack diria.
Ela hesitou.
- Eu conheço você? – perguntou-me.
- Não, mas... eu conheço você. – foi o melhor que encontrei para dizer.
- Ok, garoto misterioso. – brincou sem humor. – Tem um lugar que eu gosto bastante daqui. Podemos ir para lá.

Um lugar que ela gosta bastante. Claro, é só pra me deixar ainda mais confuso. Era nosso lugar preferido, um lugar com um banquinho no meio da praça, tranqüilo e pacífico.
Sentamos.
- O que você quer falar? – insistiu.
- Estou aqui para falar do Jack.
Então ela virou o rosto rápido, levando a mão à boca. Comecei a me arrepender disso.
- Ele era meu amigo. – eu disse, inventando na hora. – Mas eu morava em outra cidade, mal nos víamos.
- Como nunca ouvi falar de você? – ela resmungou com a voz quebrada.
- Não nos conhecíamos a tanto tempo. E... – pensei muito bem no que diria a seguir. -... ele queria que eu falasse com você.
Ela virou o rosto para mim, com os olhos cheios de lágrimas.
- Desculpe, isso ainda me machuca bastante. – disse. – O quê, como assim ele queria que você falasse comigo?
- Uma vez conversou comigo sobre certas coisas, sobre a... morte. – quando usei a palavra, ela parece ter levado um susto. – Sobre coisas que queria fazer caso acontecesse. Coisas que queria falar, e de brincadeira, perguntou para mim se eu faria isso por ele, caso nunca conseguisse.
Ela estava petrificada. Minha história parecia ter funcionado bem até agora – por mais que eu odiasse mentir para ela.
Estava tão linda. Queria tanto abraçá-la, beijá-la, apenas uma vez antes de me despedir. Mas não podia.
- Afinal. – disse-me. – O que ele queria que você me falasse?
Pergunta difícil.
- Ele te amava mais do que tudo. Ainda ama, em algum lugar desconhecido. Na verdade, acredito que nesse lugar, ele também sente sua falta, e muito. Quando você estiver sozinha e sentir o abraço dele, é de verdade. Quando escutar um “eu te amo” nos seus sonhos, foi ele mesmo que disse.
Ela estava surpresa e confusa.
- Ele disse para você me falar isso. – não foi uma pergunta.
- Sim... exatamente com essas palavras.
- É que às vezes parece que é ele que está falando. Mas... esquece.
Engoli em seco.
- Eu tinha que vir aqui falar isso para você porque sabia que era importante para ele. – hesitei e mudei de assunto. – Como está indo sua vida?
- Sinceramente... – suspirou, como se fosse confessar algo muito ruim. – Pensei em me matar no começo. Mas passou. Era deprimente demais essa ideia.
- Terrível, nunca mais pense nisso.
- Eu sei. Ele não gostaria disso. – sorriu um pouco.
- Nem um pouco.
- Sabe, onde quer que esteja, queria poder puxá-lo de volta só para dar um último abraço. É o que mais machuca todos os dias, eu não ter me despedido.
- Não se preocupe. Ele sabe disso.
- Será que sabe? – questionou. – Queria tê-lo amado por mais tempo.
- Você ainda o ama, e sempre vai amar.
Sorriu, e em seguida, puxou uma mochila que carregava consigo, abrindo-a. Puxou umas folhas de dentro, que logo reconheci.
- Ele me mandava cartas.
- Eu sei.
- Eu releio muito elas. – entregou-me uma das folhas.
Aquilo era irreal, ver minha própria caligrafia ali, meu coração querendo parar de desespero, minha mente querendo gritar. Mas não podia.
Senti uma sensação engraçada na barriga, algo que sempre sentia ao encontrá-la.
- Às vezes, eu sinto uma sensação engraçada na barriga. – ela disse, sorrindo, com a mão na barriga. – Eu sentia isso quando ele me dizia alguma coisa bonita. E hora ou outra, quando estou sozinha, pensando nele, sinto isso.
Respire.
- Eu tenho que ir. – falei, sem pensar.
- Já?
- Sim, tenho outras coisas pra fazer.
- Muito bem então. Obrigado por ter vindo falar comigo.
- Não foi nada. Adeus.
Virei-me, mas não conseguia andar. Precisava de uma última despedida. A imagem dela ali, no banca, nostálgica, relendo minhas cartas com lágrimas molhando as letras... não devia ser assim. Voltei a me aproximar e abaixei-me perto dela.
- O quê? – perguntou curiosa.
- Tem outra coisa. – respirei fundo, mais fundo do que nunca.
Então a ideia virou realidade. Foi incrível, o quão rápido aconteceu. Lembrei de algo que pensei em fazer há muito tempo, e que sempre sonhava que faria. Do nada, um volume se formou no meu bolso, e tudo parecia se encaixar perfeitamente.
Encontrei as palavras, depois que a adrenalina da ideia baixou.
- Ele ia te entregar isso um dia. – tirei a caixinha do bolso. – É, parece que ele pensava no futuro mesmo. – sorri.
Não consigo descrever o que vi no rosto dela naquele momento. Um brilho intenso. Indescritível.
- Ele ia me pedir em casamento. – mais uma vez, não foi uma pergunta.
- Parece que sim. – falei, percebendo que estava ajoelhado como se realmente estivesse fazendo o pedido.
Ela pegou a caixinha na mão, e levantei.
Dani abraçou-a como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
- Obrigado, obrigado, obrigado, por isso.
- Não foi nada. – na verdade, era.
Quando me distanciei mais um pouco, senti meu corpo se esvaindo. Ainda estava ali, mas era como se estivesse... cedendo. Então ela me chamou outra vez.
- Ei. – sorria. – Eu teria aceitado.
Não me contive em sorrir também, enquanto meu corpo perdia a cor e sumia na frente dela.

Quem disse para chorar?


Uma coisa que me fez pensar ontem.
Lembrando das coisas da vida, passou pela cabeça a imagem de um bebê sorrindo. Logo, outro pensamento tosco seguiu: quem diz para os bebês sorrirem?
Uma criaturinha tão nova não tem noção de mundo, não sabe escrever "alegria", muito menos tem ideia do que significa a palavra, ainda assim, faça uma bobiça e lá está ela estampada em seu rosto.

Quando estamos na barriga de nossas mães, reagimos a estímulos, como a voz de nossos pais, seja apenas as nossas primeiras conversinhas, ou uma canção sussurrada pela mãe.
Também li outra vez que supostamente, transferimos memórias a nossos filhos - o que foi comprovado com ratos de laboratório, pai é jogado num labirinto, filho, meses depois, já sabe onde é a saída sem nunca ter entrado lá antes.

Será que isso poderia explicar a sensação de Deja Vu que temos no decorrer da vida? Ou é só o cérebro pregando peças na gente, afinal, sempre passamos pelo mesmo lugar várias vezes - ele se confunde e reagimos àquilo com aquela sensação estranha de que já aconteceu. Esta sensação não dura cinco segundos, e some.

Pense num bebê.
Pense nele sendo colocado no colo da mãe pela primeira vez (pelo lado de fora).
Sorrisos?

O pensamento seguinte que me cortou completamente da felicidade,
foi o de um bebê que não sorri. Foi uma das coisas mais horríveis que eu poderia ter pensado.
Infeizmente, é o mundo que vivemos. Crianças que não tem pai nem mãe, são abandonadas onde quer que tenham nascido, ou crescem em amargura para um dia tirar sua própria vida - se é que se pode chamar isso de vida. Vejamos:
vida
s. f.
1. O período de tempo que decorre desde o nascimento até à morte dos seres.
2. Modo de viver.
3. Comportamento.
4. Alimentação e necessidade da vida.
5. Ocupação, profissão, carreira.
6. Princípio de existência, de força, de entusiasmo, de actividade!atividade (diz-se das pessoas e das coisas).
7. Fundamento, essência; causa, origem.
8. Biografia.

Eu acredito na vida não como o espaço de tempo entre a chegada e a saída desse mundo (se é que existem outros), mas sim, como algo que tenha uma essência, um objetivo. A vida para mim tem começo, meio e fim, mas no "meio", viver não é entrar na faculdade, lançar um sistema de pesquisa na internet e ficar milionário, é apenas ter amigos, ter testemunhas para sua vida, desde as coisas importantes às coisas mundanas e rotineiras.
Quando a vida de uma pessoa assim chegar ao fim, alguém vai sentir falta. Geralmente sou humilde (risos), mas me considero uma boa pessoa e fico feliz em saber que faço diferença na vida de outras pessoas.
Engana-se quem não acredita em algum tipo de magia no mundo. Como pode então, eu sentir um amor tão imensurável por uma única pessoa? Como pode eu sentir total paz de mente e corpo quando estou dando uma de crianção com meus amigos, ou vendo um filme de terror horrível com eles? Ainda mais, como posso olhar para as estrelas, quase todas as noites, e continuar fascinado?

Alguns tem uma visão mais material das coisas. São só pontinhos brilhantes. É apenas um sentimento. É apenas seu cérebro pregando peças.

Cada um, cada um.
Estou aqui, vivendo, para um dia olhar para trás e sentir que deixei boas memórias para trás. Que bom seria se todo o mundo pensasse assim né? Se todos quisessem fazer da vida dos outros uma boa vida?

Estou longe de ser um messias, mas é algo bacana de se ter na cabeça, ou de colar na geladeira com sua caligrafia torta: "Magia existe."

O que fazer?


Não sei se posso considerar isso um post, só deu vontade de vir aqui fazer uma mini declaração.
Nos últimos dias venho tentando encontrar alguma outra coisa para escrever sobre, mas isso vem à cabeça sempre... normal né (risos). Logo eu volto ao normal (ou não).

Sem muitas delongas, eu te amo.
Ponto final.

Ou três pontinhos, porque ainda temos muito que contar, assim como ainda tenho muito tempo para repetir a pequena frase à exaustão.
Imagem que usei no primeiro post dedicado a você. Que momento de nostalgia mais... bobinho haha

<3

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

(Não é) apenas um sonho


Quando eu era criança, com meus cinco anos, diria que a viagem dos meus sonhos seria para a DisneyLand. Todos aqueles brinquedos maravilhosamente grandes, num parque do tamanho de uma cidade... claro que sendo criança, não sabia que existiam filas de uma hora de espera, algumas centenas de reais por cabeça e atendentes com cara de poucos amigos.
O tempo passou, a realidade deu um pontapé e o sonho de despedaçou - a certo ponto, nem importava mais.

Por alguns meses, minha viagem dos sonhos foi, acreditem ou não, Forks. Fiquei fascinado por essa cidade pequena com índices de chuva maiores que o amor de Bella por Edward. Agora tenho apenas vontade de ir lá, mas não chega a ser um sonho.
Por um bom tempo, levei a vida na boa, sem sonhos ou objetivos, apenas vivia. Estava esperando algo acontecer. Quando a demora frustava, deitava na cama e assistia uma temporada de Friends para relaxar, e a vida continuava.

Há poucas semanas, algo aconteceu.

Algo muito sério aconteceu.

Agora, tenho uma nova viagem dos sonhos.
Ninguém, muito menos eu, esperaria que acabaria sendo para um parque de diversões de novo, muito menos num parque que nunca me interessou antes: Beto Carreiro. Isso mesmo.

O amor faz a pessoa pensar nas coisas que nunca pensou, sonhar com coisas que nunca sonhou, lutar por aquilo que o prende, até imaginar coisas loucas que, de alguma forma, parecem tão certas.
O amor me faz ser o cara mais feliz do mundo todos os dias, faz as palavras que escrevo parecerem tão bonitas, mesmo que sejam apenas melosas.

Enfim, o amor me faz sonhar com uma viagem para o Beto Carreiro, onde encontraria pela primeira vez a garota que faz uma mensagem de celular ser o motivo de eu sorrir ao final de cada dia. Sinceramente, nunca achei que esse parque seria tão romântico, muito menos os atendentes com cara de "eu vou me matar".
Se essa viagem não acontecer, façamos outra redação com esse tema, e lhes contarei como estou guardando dinheiro para fugir de casa e ir até Araçatuba de ônibus - ou de caroneiro, em último caso.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Volte...


Ele senta no lugar de sempre,
esperando ela voltar,
mas ela não volta.

Existe uma melancólica tristeza em seu coração,
com uma faísca de esperança,
uma fagulha,
pequena,
mas forte o suficiente para segurá-lo.

Continua voltando,
ao mesmo lugar,
todos os dias,
esperando.

Seus olhos procuram,
por todos os cantos.

- Você pode esperar se quiser. - dizem. - Mas ela não vai voltar.

Ele fica, por anos a fio,
pendurado na esperança,
vendo rostos novos e velhos,
mas nunca o dela.


Os anos passam,
e ele,
cansado,
fecha os olhos para a vida.

Relaxa ali mesmo,
onde sempre esteve esperando.


Então,
em algum lugar distante e quieto,
ela volta para ele,

que a recebe com um sorriso e uma lágrima.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O que é a vida sem riscos?


Essa pequena conversa é do filme Antes do Entardecer, um dos meus romances preferidos. Jesse, aqui, deveria ter descido naquela estação e nunca mais ver Celine. Mas parece que ele teve outra ideia.


Jesse: (Volta à mesa com sua jaqueta e mala.) Tudo bem, tive uma idéia completamente insana, mas se eu não te perguntar isso, simplesmente, uh, sabe, ia me atormentar pelo resto da minha vida.

Céline: O quê?

Jesse: Hm... (pausa, e senta) Eu quero continuar conversando com você, sabe. Não tenho ideia da sua situação, mas, uh, mas sinto que temos um tipo de uh, conecção. Certo?

Céline: Yeah, eu também.

Jesse: Yeah, certo, bom, ótimo. (fala muito rápido.) Então escute, o negócio é o seguinte. É isso que devemos fazer. Voce deveria sair comigo aqui em Vienna, e dar uma olhada na cidade.

Céline: (Surpresa com a pergunta, e sorri) O quê?

Jesse: Vamos. Vai ser legal. Vamos.

Céline: O que faríamos?

Jesse: Hmm, eu não sei. Tudo que sei é que tenho que tenho que pegar um avião amanhã de manhã as nove e meia, e não tenho dinheiro o suficiente para um hotel, então só ia caminhar por aí, e seria muito mais divertido se você fosse comigo. E se por acaso eu for algum pervertido, sabe, você pega o próximo trem.

(Céline sorri, ainda incerta.)

Jesse: Tudo bem, tudo bem. Pense dessa forma. Pule para frente, dez, vinte anos, okay, e você é casada. Mas seu casamento não tem a energia que costumava ter, sabe. Você começa a culpar o marido. Começa a pensar em todos os caras que conheçou na sua vida, e no que PODERIA ter acontecido se tivesse escolhido um deles, certo? (Céline ri um pouco.) Bem, eu sou um desses caras. (aponta para si) Sou eu, sabe, então pensa nisso como uma viagem no tempo, de lá, para agora, para descobrir do que está sentindo saudade. Veja, o que isso pode realmente ser é um grande favor a você e a seu futuro marido, para descobrir que não está perdendo nada. Sou tão perdedor quanto ele, totalmente desmotivado, totalmente chato, e, uh, você fez a escolha certa, e é realmente feliz. (aponta para a porta e silaba "vamos".)

Céline: (pensa por alguns segundos.) Vou pegar minha mala.

**



Mais tarde, de noite, Celine fala uma das coisas mais lindas que já vi num filme.

Celine: Acho que, se há algum Deus, ele não está em nenhum de nós. Nem em você, nem em mim… mas nesse espaço entre nós. Se há algum tipo de magia no mundo, ela deve estar na tentativa de entender e compartilhar algo com alguém. Sei que é quase impossível conseguir isso. Mas e daí? A resposta deve estar na tentativa.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

OMFG!


Uma semana atrás recebi um email do site Mesa do Editor, dizendo que uma editora queria falar comigo a respeito do livro Paramour.

É um livro que tenho pronto desde o ano passado, que tá uma merda, mas que coloquei lá só pra ver. O site é pago, mas tem uma frescura de liberar tudo uma vez por mês - devem ter me visto lá assim.
Nem dei muita bola, mas falei com a editora, meio sem esperar resposta.
Três dias atrás, veio a resposta, acompanhada de uma carta de apresentação e um questionário super completo sobre a obra *0*

Eu não sabia o que pensar, li a carta toda de uma vez, e só então resolvi mostrar aos meus pais.

Ao mesmo tempo, editei meu notório livro por horas a fio, mudando e mudando, principalmente o conto maior, sofreu uma cirurgia brutal (cortei quatro capítulos). Mudei todo o conceito dele, ao invés de ser um conto monótono (era sim rsrs) sobre dois adolescentes, virou um pequeno conto sobre dois adolescentes, e segue com poesias depois do final, revelando minhas sensações e emoções dessa época divertida e MUITO confusa da adolescência, desde o descobrimento da paixão até o descobrimento do amor - a melhor parte.
Também é cheia de tristezas e angústias, claro, mas tudo passageiro né?

Eu não sei se esse livro vai ser publicado, nem hoje, nem amanhã, nem nunca. Mas o meu verdadeiro sonho, por mais impossível que soe agora, é que um dia um adolescente perdido encontre um caminho com ele, e que um adulto leia e relembre desses momentos com nostalgia. É o meu sonho.

Maaaas como isso está à anos luz de distância, apenas compartilho minha empolgação com o pessoal daqui ;D

OBS: quem quiser ler, me avisa... *barulho de grilos* Ninguém? Ok, eu já esperava isso.



Ficam os sites pra quem quiser olhar:
http://www.mesadoeditor.com.br
http://www.biblioteca24x7.com.br

domingo, 31 de janeiro de 2010

Um milhão de blogs depois...


Desde o quê, uns 12 anos, venho criando e deletando blogs.
Talvez eu tivesse algum prazer doentio em fazer tudo bonitinho para depois deletar. Ok, na verdade, comecei quando nem sabia o que queria da vida ainda - mal sabia escrever para falar a verdade.
Demorei e demorei, exclui daqui, exclui dali, até que finalmente o "Origem da Simetria" sobreviveu. Criei esse ano, motivado pelo blog de uma amiga, Dani (http://unbrokenheart-mythings.blogspot.com/ - sim, sou marketeiro de primeira). Fui linkado para lá por outra pessoa, mais especificamente, para um conto que estava lá. Eu li, me impressionei, e alguma faísca de infância acendeu em mim - aquela coisa ali, toda personalizada, até com premiações, mas o melhor de tudo, seguidores, pessoas que liam com interesse aquilo que eu escreveria... tive um flashback de quando vi Tarzan pela primeira vez, e queria escalar a árvore do quintal a qualquer custo.

Uns cinco minutos depois, nasceu Origem da Simetria.

Além de que, com um simples comentário lá, conheci uma das pessoas mais maravilhosas do mundo, que considero demais² - a própria Dani.

Eu pensei então em como eu gosto de ter opinião, de falar o que sinto, de ter um espaço só meu... daí lá vai o Jack, feliz da vida, mudando até a fonte daquelas letras pequenas embaixo do post que ninguém nunca vê.

Começar a organizar um post, da primeira tecla digitada até a imagem ilustrativa que escolho sempre no final, é como... lançar um livro. É um trabalhinho, um pequeno projeto que tem começo, meio e fim. É de ganhar o dia quando clico em "publicar postagem" e vejo o trabalho finalizado, bonitinho lá.

Esse blog para mim é como um diário.
O que eu sinto está aqui, cada poesia ou conto é alguma emoção que já senti ou que estou sentindo. A diferença de um diário é que aqui nada é privado - odeio ter segredos.

A razão de eu digitar meu próprio endereço algumas vezes por semana na barra do Mozila (porque esse programa vagabundo não guarda meu histórico) varia. Às vezes é para desabafar, outras é para celebrar, homenagear, chorar, ou simplesmente para compartilhar alguma experiência bacana (ou não).

Às vezes a tecnologia é menosprezada. Claro que escrever algo com uma caneta no caderno tem sua magia, um toque íntimo único e inimitável, mas é justamente isso que o blog me traz - estar aqui, até mesmo agora nesse post, me abrindo para quem quiser ouvir, tem sua mágica. No caderno, escrevemos com tinta, é algo natural - aqui é com um aparelho cheio de botões chamado teclado, e as letras aparecem do nada na tela, formadas por pixels, vários quadradinhos minúsculos.
No século XVIII, talvez Jane Austen não se agradaria com a ideia de escrever dessa forma. Mas os tempos mudam, e Jane Austen ainda vende muito.



Mesmo que um dia toda essa simetria vá para a lixeira, nunca vou esquecer das emoções que uma simples página da web me proporcionou - né Dani? (risos)