quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Migrando

Ae, hoje depois de anos, consegui entrar na conta de novo; pro pessoal que ainda presta atenção no blog praticamente morto, eu criei um novo - Disintegration.

http://disintegrate-me.blogspot.com

Já tem vários textos, é uma experiência diferente, sei lá, foi como terminar um caderno e começar outro. Mas quem escreve ainda é o mesmo bobo :P

domingo, 27 de junho de 2010

After Life, After Love

Sempre teve alguma coisa por trens.

Várias vezes em sua vida, os via como metáforas visuais perfeitas sobre decisões, amor, poesias, e tudo mais. Começou quando, uma vez na adolescência, fez um conto que se passava numa estação de trem. Era bonitinho, o garoto precisava ir, a garota chorava muito... a porta dupla se fechava e ele ia embora, mas ficava lá, de certa forma.

Lembrar de sua jornada também parece como estar dentro de um trem. Olha pela janela, vendo os acontecimentos marcantes, as bobiças com os amigos quando tinha dezesseis anos. Gostavam de subir num morro e estourar rojões embaixo das fezes das vacas.

Também sempre teve uma paixão por música. Qualquer momento, escutava as suas favoritas, ou inventava melodias no piano em sua cabeça. A ironia é que nunca soube tocar piano.
De todos os sonhos que teve, pôde chegar até ali feliz de ter provado que o amor era verdadeiro. Um sonho, sim, mas real, também.

Imaginou-se entrando num trem, mas sem saber para onde. Era fascinante, uma viagem sem volta para um lugar desconhecido que se fosse apenas vazio, apenas o fim, iria com tranquilidade, pois vivera uma boa vida.

Então entrou nesse trem, deixou a porta se fechar. Imaginou apenas uma pessoa ali dentro, mesmo que ela já tivesse entrado nesse trem um pouco antes.

Sorriu, e ironicamente, nunca havia andado num trem toda sua vida.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Lembranças

Acontece nos dias mais comuns,
numa noite aberta,
quando menos se espera.

Cria-se a lembrança,
parágrafos e páginas que se prendem à lugares,
pequenos objetos,
folhas de papel,
olhares e toques.

Nunca se sabe a hora de dizer adeus,
de pensar por uma última vez em como foi bom.
Nunca sei se estou preparado o tempo todo para isso,
por mais que tente.
Poderia levar comigo as lembranças?

Ou poderia ter um longuíssimo segundo antes de ir,
para revistar cada uma delas com carinho?

Poderia pedir, que nesses últimos momentos,
você lembrasse de mim como lembrarei de você?

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Algo sobre o amor

OBS: pequeno trabalho em desenvolvimento para aula de filosofia. Ainda vou melhorar, mas faz tanto tempo que não publico nada que, bom, aí está.

O amor é um dos temas mais explorados da literatura, ainda que a quantidade de palavras gastas para falar sobre esse sentimento não o tenha esclarecido, pelo contrário, muitas vezes parece deixá-lo mais misterioso, maior e quase sempre, com tons de impossiblidade. Simplificadamente, seria um vínculo emocional muito forte com alguém.
Por quê? Ninguém sabe ao certo - ninguém quer saber. Uma das delícias do sentimento está na dificuldade de explicá-lo, descobrí-lo e cultivá-lo. Desde os tempos de Romeu e Julieta havia o tal "grande amor" na cabeça das pessoas, aquela idéia geral de que um dia se encontraria um grande amor com quem passaria o resto da vida. Os desenhos animados ajudam, com histórias do tipo Bela e a Fera, Bela Adormecida, etc, sempre com o cavalheiro excepcional e gentil, e a princesa bela e inocente. Por um tempo, permanecia assim a ideia de amor eterno, mas as coisas mudaram.
Hoje, um chamado "príncipe" é bem difícil de se encontrar, e as princesas não são mais tão inocentes. A adolescência atual, o modo de ver e viver as coisas, acabou prejudicando a visão antes poética do amor, dando maior espaço aos desejos físicos imediatos, luxúria mesmo. Pouco importa o sentimento interno que dá vontade de sonhar coisas impossíveis, afinal, isso é coisa de garotas feias demais para ficar com alguém que gostam de ler livros.
O meio termo seria a visão mais correta, entre o respeito ao sentimento e a chamada luxúria, palavra feia por ser mal usada, mas o contato físico é uma das principais formas de expressão na falta de palavras, especialmente o beijo. O amor hoje em dia é extremamente banalizado, pois é um sentimento puro, que pode se sentir entre amigos, pelos pais, irmãos, etc, não apenas por aquela pessoa que mexe com os pensamentos. Esse amor relacionado à paixão, o mais discutido e complicado de todos, é talvez o mais banalizado. O fato de ser considerado "bonitinho" faz com que seja usado como arma de conquista, afinal garotas gostam de coisas fofinhas. É quando o jogo da conquista torna-se um jogo de bajulação e mentiras.
Mas essa é a visão generalizada. A tão notória frase "eu te amo" tem um significado profundo para muitos também, tanto que pode acontecer de esta nunca ser pronunciada antes de algum tipo de certeza, certeza de quão real é o sentimento e de que vai durar.
A questão da realidade e sonho também é interessante e bem explorada na literatura. Quem já se apaixonou sabe que quando as coisas dão muito certo, chega a criar-se um medo de que está bom demais para ser verdade, de que aquilo tudo não é possível, ainda que esteja acontecendo. Como se pode ter uma paixão tão grande por uma única pessoa? Culpe o cérebro.
A visão do príncipe ou da princesa é criada durante a educação e amadurecimento, de acordo com nossos gostos e desgostos, personalidade e tudo mais. Assim que tudo se encaixa, pronto, antes que perceba ou possa correr, caiu na armadilha. É uma sensação estranha, a de se apaixonar, pois existem tantas incertezas, risos involuntários, segundos de reflexão, tantas coisas que nos fazem pensar na vida de forma diferente, como se as coisas estivessem mesmo melhores, como se a vida fosse melhor e mais feliz, e sem aquele amor, não seria nada. Mesmo negando, a faísca acende o fogo ali na nossa cabeça, e quando percebemos já é tarde demais.
Para uma boa parte da população, começam então os sonhos, as viagens em geral. Tem a outra parte, que prefere tentar fugir da confusão, afinal, não vale a pena perder tanto tempo sabendo que tudo pode acabar em nada, como sendo apenas uma ilusão real demais. Ocasionalmente, acaba mesmo com um final triste, cheio de minutos demorados, música emo e comédias românticas. Mas até que ponto pode se chamar isso de sofrer por amor?
Quantas vezes vimos o caso da garota que "ama" um galinha qualquer que a trata como lixo? Esterótipos de filmes colegiais à parte, existe diferença exorbitante entre atração e amor, ainda que estes andem de mãos dadas. O vínculo emocional se forma com conhecimento mútuo, carinho e dedicação, pelo menos, na maioria das vezes. A atração pode brotar apenas pelo contato visual, uma espécie de "amor à primeira vista". O amor romântico, como já mencionado, é complexo. É fácil distinguir atração do real sentimento? Não, não é. É o tipo de experiência que nos engana cruelmente, do tipo que só vivendo e errando para aprender a se importar. A aparência é outra polêmica, pode ajudar, atrapalhar, ou até ficar em segundo plano em frente ao sentimento.
Mas voltando um pouco, a questão do contato físico é tida como importante no romance, principalmente o beijo. O toque dos lábios é como o começo de algo, a repentina mudança nos sentimentos. Ou não. Pode ser apenas um toque de lábios e línguas qualquer. Nesse momento fica mais fácil (ou não) de sentir o vínculo, se é romântico, ou apenas sexual.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Nutshell

Deitados na grama,
encostados na árvore,
realmente pensei que aquele momento seria para sempre.

Os carros passam,
pessoas e suas histórias correm nunca se encontrando,
enquanto a nossa se encontrava.

O tempo corre em seus relógios,
no nosso não.

A noite fria me fazia tremer,
o frio que o calor de seus olhos não conseguia dissipar.

Os minutos passavam,
e de cinco em cinco, perguntava-me:
isto é mesmo possível?

Queria me beliscar,
checar se não estava dormindo.

Poderia aquele ser o sonho mais perfeito de todos?

domingo, 6 de junho de 2010

Viva as amizades!

Vemos pessoas todos os dias, todos os curtos dias dos quase 400 de cada ano. Para alguém que mora em cidades pequenas como eu, reconhecemos rostos eventualmente, mesmo que a pessoa por trás dele continue um mistério intocável.

Surpreso fico é com as pessoas que entram em nossa vida impressionando, chegam chegando sabe, imediatamente mostrando a pessoa que é, automaticamente tendo seu rosto marcado com adjetivos louváveis - sincero, misterioso, querido, divertido...
A parte engraçada é que tal rosto nunca havia aparecido por aí antes. Penso que talvez, estavam se escondendo para serem encontrados na hora certa. Figuramente falando.

Fico feliz com as pessoas que trazem alegria para minha vida e gosto de ser a alegria na vida de outras pessoas também - tarefa mais ou menos árdua (risos).

Amigos e amigas, novos e velhos, essa é pra vocês!


sábado, 5 de junho de 2010

In Rainbows

Vai passando,
devagar...


As coisas loucas,
já não consigo acompanhar.

Não consigo encarar a tarde ensolarada,
ela me trás lembranças.

Não consigo encarar a noite e a lua,
me deixa perdido.

É muito poderoso,
sou tão pequeno.

As boas ideias acabam,
as que não vão acontecer.

Quando as encontro,
já partiram novamente.

Fecho os olhos,
não é bom ficar no escuro.

Abro os olhos,
estou ali, não aqui.

Estou sumindo pela falta de forças,
perdendo a batalha para mim mesmo,
já cheio de cicatrizes,
cansado.


Dou as costas sabendo que não perdi a batalha para ter você,
sabendo que o meu coração você também teve nas mãos.

Mas talvez,
o que importe seja o que aprendemos,
não o que ganhamos.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Remember...

É quando penso que acabou,
que está começando.

É quando não estou vivendo,
apenas matando tempo.

É quando está chovendo,
que estou cantando.

É quando a lua ilumina o céu,
quando respiro fundo.

É quando escrevo,
que tento entender.


São nesses momentos,
quando perco tempo,
que estou te amando.

domingo, 30 de maio de 2010

"Ultimamente parece que só tenho você de verdade quando conversamos, é quando me sinto seguro, com os pés no chão. O resto do dia eu não vivo de verdade, apenas mato tempo esperando pela próxima conversa."

Andei meio viajão ultimamente. Tipo, mais do que de costume, por isso tanto tempo sem postar nada aqui. Muitas coisas mudaram no dia-a-dia, muitos novos detalhes e pensamentos, precisava assimilar tudo de novo, tudo que eu conhecia mudou. Nisso que dá assumir uma religião...
Claro que não foi só isso que tem a ver com mudanças. O trecho acima é de um caderno onde escrevo minha infinita declaração a uma garota - yep, ela de novo. Ela que traz cores para meus dias e minhas noites, uma chama sempre acesa dentro do meu peito.
Ok, não sendo tão intenso, apenas digo que a amo.

Não tenho mais o que dizer, só passei para não deixar criar teias aqui (risos).
Ah e a correria não me permitiu selecionar os blogs pra mandar o selinho Dardos, que nem coloquei no meu ainda... que vergonha! Tudo se resolverá na próxima tarde livre.

Finalizando com minha última descoberta musical, uma banda sensacional que vai do romance mais obsessivo à claustrofobia mais horrorosa. Escolhi uma música que representa o primeiro caso:

domingo, 23 de maio de 2010

Vontades

Não cresça muito rápido,
não hesite,
não.

O tempo é um rio,
flutuamos por cima dele,
sem tocá-lo.

Cresça,
viva,
mas não se engane.

Corra,
brinque,
mas não me deixe.

Quando for tarde,
lembre-se de mim e do tempo.

Ainda estarei arrastando-me atrás dele,
alguns anos no passado.

Queria eu desaparecer,
esquecer.

Queria eu.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Wicca?

Recebi muito essa pergunta ultimamente (risos). As palavras a seguir são de Gwinevere Rain, a autora do livro onde descobri a religião. Antes, uma lista de coisas para quebrar o estereótipo que surge quando a palavra bruxaria é mencionada, também encontrado no site dela. Confiram, é bem interessante.

Checagem de Fatos Wicca
1. Wiccanos acreditam no lema "Não prejudique ninguém".
2. Homens e Mulheres podem ser Wiccanos.
3. Wiccanos não acreditam em Satã ou no Diabo.
4. Não voamos em vassouras, varremos energias negativas com elas!
5. Ofertas são feitas em potes, conchas do mar, poemas, cristais, etc., não com coisas nojentas.
6. Intuição é um grande poder, mas nem todos Wiccanos são psíquicos.

7. Você não precisa nascer em uma família Wiccana para ser Wiccano.

8. Não lançamos maldições ou pragas
(OBS do Jack: elas existem, mas vão contra a regra "Não prejudique ninguém" e implica na ideia de que o que você faz voltará para você).
9. Charmed, Buffy e Sabrina são ótimos shows, mas não retratam a Wicca precisamente.
10. Você não precisa de um "sábio mentor". É possível aprender tudo por conta própria.


Agora o texto:
"Wicca é uma religião. Foi fundada por um homem chamado Gerald Gardner na década de 1950. Desde então Wicca evolui e atingiu um grande número de seguidores. Wiccanos (os praticantes da religião) a personalizam para encaixar em seu estilo de vida. Alguns são solitários, significando que praticam sozinhos - enquanto outros pertencem a um Coven e celebram sua fé em grupo. Apesar da variação na prática, existem ensinamentos centrais. Primeiro, a regra de conduta que diz, "Não prejudique ninguém." Isso significa que Wiccanos evitam conscientemente ferir outros fisicamente, emocionalmente ou atrapalhar em seu livre-arbítrio.

Outro ensinamento central é a Regra dos Três. É uma crença no Karma de que a energia que você manda (positiva ou negativa) você eventualmente recebe de volta três vezes. Isso nos faz tratar os outros como gostaríamos de sermos tratados.

Wiccanos acreditam em uma força superior. No entanto, essa força se divide em duas formas onipresentes, o Deus e a Deusa. São uma parte central da religião. Os honramos através de rituais, preces, e feriados (chamados Sabás). A deusa e o Deus são vistos de forma diferente por cada praticante, assumindo um papel de mãe, pai, irmã, irmão etc. Suas energias são opostas, mas complementares, duas metades de um todo.

No entanto, Wiccanos não vão a igrejas ou templos, muitos têm o que chamamos de "Altar". Essa mesa ou simples área é dedicada a preces, celebração, rituais e magia. Ali podemos encontrar estátuas representando o Deus e/ou a Deusa, velas, um prato de ofertas, incenso, e outras ferramentas úteis.

A natureza tem um caminho importantíssimo nesse caminho, é vista como uma extensão da divindade. Logo, Wiccanos sentem que uma conexão com a natureza é uma conexão com a divindade. Frequentemente tem preocupações com o meio e com a saúde do planeta.

Eu mesma e outros praticantes acreditam que a pessoa deve sentir o caminho/fé/religião que deve seguir sozinho. Então, Wiccanos não pregam ou ensinam "uma verdade absoluta". Com a criação deste site e dos livros coloco a informação lá fora para educar. Se você acha que a Wicca se comunicou com você, existem várias seções para pesquisa aqui. Se acredita que a Wicca não parece certa para você, então bela jornada em seu caminho espiritual."

domingo, 16 de maio de 2010

Jack está de castigo

Isso mesmo que você leu, enchi o saco da mãe por tanto tempo que ela me cortou a net até amanhã. Como estou aqui então? Meu pai é uma pessoa bem compreensiva.

Logicamente não pude visitar nenhum blog desde sexta, quando o castigo começou, só estou aqui a trabalho... mas amanha volta ao normal, em termos. Voltamos a ativa.

Na verdade, desde o último post estou me sentindo bem melhor em relação a tudo. Animei-me a escrever um bom (e grande) conto, sem pressa, cuidadosamente analisando cada linha, como fazia antes. Na escola as coisas vão melhorar também, amanhã vai ser o primeiro dia sentando na frente na aula de matemática - que maravilha né. Mas é necessário, ficar de recuperação em mais de duas matérias de novo (ano passado foram seis) é triste.

Ok, não posso enrolar demais aqui. Ah outra coisa, aquela coisa de Wicca vem aparecendo no meu dia-a-dia sem querer, estou começando a pensar que é um bom caminho a seguir. Ao me colocar dentro disso, a sensação é boa, me sinto ajustado.

Tatatatata, ninguém quer saber disso. Ainda assim, vou falar mais no próximo post. Agora vou trabalhar e aguardar ansiosamente pela nova música do Muse que sai amanhã...

Bye!

domingo, 9 de maio de 2010

Ano zero.

A tendência de organizar a vida em partes persiste.
Existe a vida real, massante, lotada de informações.

A outra vida, sem nome ou definição, feita de sonhos, vontades, não precisa de tempo. Nela somos o que sonhamos, nem sempre temos o que queremos, nem o que precisamos, mas existe força necessária para não nos deixar cair.
Existem coisas bonitas que não precisam de palavras. É nessa vida que acontecem dias inesquecíveis.

Procuro uma maneira de juntar essas duas partes.

Ter uma vida cansativa, mas recompensadora. Feita de sonhos, desejos, com tempo curto, para fazer dos pequenos momentos os mais preciosos. Nela, ter o que preciso, depois de considerável luta, mas ter sempre força, pois a luta nunca acaba.
Queria ser eu mesmo dentro desse corpo que às vezes me engana. Ter alegria sempre cravada nos eventuais sorrisos.

Queria apertar delete, começar de novo, fazer tudo diferente.
Mas estava aqui, vivendo, até agora aprendendo uma lição, uma demorada aventura até esse ponto de querer recomeçar. O recomeço não era literal, afinal, como dizem os velhos ditados, não podemos mudar o começo, mas podemos recomeçar e mudar o final.
Penso com muito cuidado nessas palavras. A sensação estranha de ser quem queriam que eu fosse não é agradável. Sei aqui dentro quem sou eu, sei quem é o Jack.

Usar meu apelido como forma metafórica de recomeçar é uma boa ideia, afinal, ele surgiu em tempos de mudança mesmo.

O Jack é educado, não gosta de falar palavrões, ama escrever, ama filmes, sonha em publicar um livro e dirigir um filme. É romântico, sonhador, tem seu próprio mundo interior, seu lugar feliz que lhe serve de refúgio nas horas silenciosas. Tem o costume de procurar beleza nas coisas simples, tentar escrever sobre elas. Gosta de olhar para as estrelas, gosta de sair com os amigos, mas não sabe se divertir em festas, não curte dançar e nem quer aprender, gosta de férias em Tramandaí. É extremamente desorganizado e desatencioso, defeitos dos quais não se orgulha, mas que não consegue mudar - falta de iniciativa, outro defeito.
Muito calmo, raramente se altera. Não gosta de confusão, brigas nem na TV, odeia tumultos e barulho. Exceto se for (boa) música em sua sala de estar ou num estádio na Inglaterra.
Adoraria cantar ao vivo em alguma banda um dia, tocando guitarra. Porém não sabe cantar e aprende em passos de tartaruga, mas pelo menos, está tentando.
Acima de tudo, sem querer, colocou seu amor por uma garota. É o tempo mais precioso, e não consegue viver um dia sem que esta se intrometa - no bom sentido. Piegas, meloso, etc, mas lindo, ele pensa.

Saindo da terceira pessoa (o que já estava me irritando).
Isso não tem nada a ver com o fato de eu não ser amado/reconhecido por meu esforço. É apenas uma busca pessoal - e meio louca, confesso. Para alguns, vem fácil, para mim não veio.

Mas nesta segunda feita (hoje, pois já passou da meia noite), vou dormir para acordar diferente.
Sem radicalismo, sem desespero. Não é uma questão de ser o cara perfeito, é questão de ser quem eu sou.

Prazer, eu sou o Jack. E você?

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Let me, let me, let me...

Tudo acaba.
Acaba meu amor,
minha ilusão,
o que for.

Tudo que anseio,
aquilo que desejo.

Acaba.

Então deixe-me pegar sua mão, deixe-me ter o que eu mais quero. Deixe-me sonhar, como não sonho há tempos, como sonhava antes. Permita que eu me aproxime, que arrisque, que te convença a me beijar. Nunca dê um passo para trás quando estiver diante de mim, pois darei dois para frente. Nunca se deixe levar por aqueles outros garotos, sou melhor. Me dê seu olhar. Me dê seu coração também.

Me dê amor e nada acaba. Nunca acaba.


**

Ao som de Please Please Please Let Me Get What I Want,
a música com menos de dois minutos mais linda que já ouvi.


Essa pequena declaração veio para mim do nada. É ao mesmo tempo bobinha, mas sincera, como uma mistura das viagens de estar apaixonado, à coisa simples e aparentemente fúteis, como a competição com outros garotos.
Se possível escutem a música a seguir, que raiva, queria poder compor assim.


sábado, 1 de maio de 2010

Poesias que nunca mudam...


Ele a imagina como sua estrela,
distante, mas sempre está ali, bela.
Mesmo no céu azul do dia,
escondida,
brilha.

Todas as noites, pode vê-la novamente.

E ela, cujos olhos brilham,
ora de felicidade,
ora pelas lágrimas,
ama-o tanto quanto.

Tão forte,
tão claro,
tão forte...

São lugares que não podem alcançar,
lugares que são rabiscos em suas imaginações,
traços fortes de saudades,
um pensando no dia-a-dia do outro.

Onde estará agora?
Escapa o outro pensamento - estará pensando em mim?

Nas horas solitárias,
cheias de minutos arrastados,
existe fogo e gelo,
certeza e dúvida,
sorriso e lágrima - estes dois últimos, às vezes, ao mesmo tempo.

Musiquinhas confortam, nem melhoram, nem pioram. Suas palavrinhas tem cores próprias, os pianos e guitarras, levando a novas texturas e imagens de um lugar, um lugar que nunca é o mesmo, mas onde sempre estão juntos.

**

Comentários adicionais: Toda vez que penso em distância + amor + solidão, sai algo muito parecido com isso aqui que você provavelmente acabou de ler. Estava evitando postar essas coisas, mas parece que não consigo mesmo fugir disso (risos), pra quê esconder? Bobinho, meloso, romântico e óbvio, mas verdadeiro. Esse sou eu.
A poesia acabou servindo para duas coisas: além de ser mais uma das biribagunizilhões de reflexões minhas sobre minha situação, caiu como uma luva na vida de minha nova amiga, Anne - pra ela ver que sei contar histórias com palavras bonitas (risos).

quinta-feira, 29 de abril de 2010

ig.no.rân.cia


Não é novidade para ninguém que a mulher tem o físico mais fraco que o homem, o que não a torna de forma alguma "mais fraca". Por muitos e muitos anos anos foi assim, sempre será. A maioria dos preconceitos tem a ver com as crenças ou religiões mesmo, pois mesmo no livro mais vendido do mundo, a Bíblia, a mulher deve se considerar inferior ao homem, sendo obediente e ponto (um dos motivos que me fez desistir totalmente da religião).
A meu ver, homem e mulher, independente de suas diferenças biológicas, devem ter direitos iguais. São seres humanos, o sexo não muda isso. Cuidado, mulher dirigindo? Por favor, quantos milhões de homens fazem coisas piores todos os dias?
Outro absurdo é o estereótipo de dona de casa - mulher só serve pra limpar a casa e cozinhar? Bom, se um homem não sabe fazer essas simples tarefas, não tem nem o direito de pensar em se achar o superior. Se John (nome exemplar - sem preconceitos) me diz que precisa de uma garota pra lavar as roupas e comprar/fazer comida, me desculpe John, mas você é imbecil? Não sabe esfregar, não sabe ler as placas até a prateleira certa, não sabe pesquisar naquela nova tecnologia, a internet, como colocar arroz e feijão na panela e ligar o fogão? Mesmo assim, John mantém a postura "eu sou macho". Palmas pra ele, todo mundo batendo palmas.

Os dois sexos parecem ter adquirido suas características de forma que se completassem. O homem é a mulher foram feitos para se completarem, para viverem juntos, ou numa expressão que remete aos tempos primitivos, a sobreviverem juntos.
É do passado esse negócio de ser "macho". Não passa de um estereótipo brincalhão, que quando levado a sério, torna-se uma piada óbvia e sem graça.
Convenhamos, o politicamente correto é um saco. Qualquer piada que envolva qualquer tipo de preconceito, por mais inocente que seja, traz uma série de discussões e pensamentos a respeito do passado, presente e futuro da sociedade. É um saco. Não há escapatória das substituições típicas das conversas do dia-a-dia: Negro vira nego. Homosexual vira viado ou bicha. Mulher fácil vira vaca, galinha, vadia, etc. Seria utopia pensar que um dia isso mudaria, pois quase sete bilhões de pessoas não são tão facilmente influenciáveis assim, na verdade, muitas morrem ignorantes.

ig.no.rân.cia
sf (lat ignorantia) 1 Afirmar que mulher é inferior.

Piadinha. Cada um é cada um, mas a natureza do ser humano é viver com um par. O que seríamos de nós homens sem as mulheres?
Dessa vez sem piadas.

Novo visual, novos modos

O blog tava meio relaxado.
Finalmente dei um jeito nele, acho que finalmente também reanimando minha vontade de escrever nele - eu andava meio viajão mesmo.

Lá vamos nós de novo \o/

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Conto sobre ligações

Tu, tu, tu.
Ao decorrer da curta ligação, havia encostado-se na parede, deixando-se escorregar até sentar no chão. Lentamente distancia o telefone do ouvido, até segurá-lo relaxadamente com o pulso apoiado no joelho erguido. Sente que está muito distante, fora desse mundo. O barulhinho repetitivo ainda soa, também parecendo mais distante e quieto. Finalmente pousa o telefone no gancho, mas fica sentado mais alguns longos segundos.
A imagem é plasticamente perfeita, o rapaz sentado perto da porta de um quarto, iluminado pela luz do sol que forçou seu caminho entre as nuvens cinzas do dia chuvoso. Uma foto viria a calhar, para capturar aquele momento antes que sumisse para sempre.
Mesmo dois minutos depois de ter desligado, de volta ao que estava fazendo antes que o telefone tocasse, ouvia a sílaba repetitiva em sua cabeça. As reviravoltas sempre vem sem avisar, pensava.
À partir do momento que levantou daquele chão frio, seguiu com sua vida. Amou muito, sorriu muito, sonhou muito. Era tudo que queria. Raro um minuto fazer diferença nos tantos anos de uma vida, mais raro ainda tal minuto durar para sempre.

Em seu último dia, sentiu que estava partindo. Há tempos estava sentindo-se cansado, até que ao deitar, entregou-se à dona morte. Resolveu despedir-se do mundo. Despediu-se das árvores, do vento, das estrelas. Especialmente, sem pressa, despediu-se da garota, a eterna garota.

De olhos fechados, rapidamente focou e reviveu, com nitidez incrível, aquele momento onde tudo mudou. Jurou ter escutado novamente, muito longe, aquele tu, tu, tu, antes que adentrasse profundamente no sono infinito.

--

Comentários adicionais: Bom, fiquei na dúvida sobre o que era esse pequeno conto que me surgiu hoje à tarde. É sobre pequenos momentos? Sobre ligações perdidas (não apenas telefônicas digo)? É sobre alguma coisa. Creio que seja mesmo sobre pequenos momentos, pois a maioria dos dias do ano são esquecíveis, ninguém lembra de um dia inteiro. Lembramos de momentos, são o que valem afinal. No fim, tudo pode valer a pena, talvez, por um único momento especial. Sonhador, eu? Deu pra perceber (risos)?

Meu tempo...

Como um elástico,
meu tempo se estica,
facilmente alongando-se,
até o extremo,
ali segurado.

O afeto é posto à prova,
inseguro e confuso,
nunca diminui.

Há medo,
medo que acabe,
que haja um fim.

Com a certeza de sua palavra,
o elástico é solto,
o tempo volta ao começo,
somos um novamente.

É nesse segundo que o tempo para.
Não importa mais.

A simetria do universo muda,
tudo gira em torno de um ponto.

A distância é grande,
mas consigo ver que meu universo,
minha existência,
gira em torno da sua.

Saudades alongam minha vida,
suas palavras tornam as minhas irrelevantes.

Felicidade que é sua vinda,
cada olhar iluminando os meses e as horas.

Tenho certeza que a água molha,
que o fogo queima,
que o vento leva,
assim como tenho certeza que você é a origem da minha simetria.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Música - Muse - The Resistance


Como já li outra vez, em outra crítica, o Muse é a banda perfeita pra se odiar. Pretenciosos, experimentais, forçando música clássica no meio das guitarras... realmente, muito fácil odiar. O problema é que eles lançam um disco melhor que o outro.
O mais legal de descobrir The Resistance foi que estava sendo preparado bem na época que descobri a banda. Viajava com o primeirão, Showbizz, o segundo, Origin of Symetry (comentado aqui), o fodaço Absolution e o premiado Black Holes and Revelations. Assim que a primeira amostra de The Resistance saiu, a primeira faixa, Uprising, foi paixão a primeira vista. A batida militar mesclada ao baixo oscilante cravou logo de cara, mesmo sendo claramente uma nova experimentação. Sintetizadores oitentistas marcam o riff principal enquanto as guitarras não entram - quando entram, já eras, você já estava cantando o refrão com toda força: "eles não vão nos forçar, eles vão parar de nos degradar, eles não vao nos controlar, nós seremos vitoriosos!"
O cunho político/apocalipse pós-moderno já vinha sendo explorado desde Absolution. O vocalista, Matthew Bellamy, parece ter uma queda pelo tema. Claro que as canções de amor persistem, bom exemplo é a própria faixa título, Resistance, que começa com ecos à lá Pink Floyd e desemboca em um mini (e genial) tributo ao Queen, grande influência nesse disco.
É inegável que Matt seja um músico excepcional que adora flertar com a música clássica em seus ótimos rocks. O Muse em si é uma banda muito boa que só não recebe muita atenção por ser bastante derivada - eles fazem um som do caramba, mas todas (ou quase todas) as músicas remetem a outra banda. Você nunca vê alguém dizer que uma música lembra Muse, desde o começo, que foram taxados como cópias do Radiohead, até agora, depois de muita evolução. O que de forma alguma é um demérito - diga outra banda que fez uma sinfonia de três partes misturando violinos e vioncelos com guitarra distorcida e falsetes absurdos? O trio tem sua personalidade.
Aqui vamos nós ao faixa-a-faixa:
1 - Uprising - Abre o disco brilhantemente, hit certeiro. Fala sobre paranóia, vitória e resistência, dando uma idéia dos próximos quarenta minutos de música a seguir. O solo grunge antes do último vibrante refrão já é o suficiente para deixar ligado.
2 - Resistance - A faixa título surpreende. Começa com vinte segundos de guitarra cheia de ecos, vianjando no Pink Floyd, muda para versos ansiosos e um pré-refrão que genial com a cara do Queen. Épica.
3 - Undisclosed Desires - A que mais me pegou pelos trinta segundos de prévia disponibilizados no site da banda pouco antes do lançamento. É diferente de tudo que a banda já fez, lembra Depeche Mode, sem guitarras. Identifiquei algo muito pessoal nessa música, como se eu sempre a tivesse escondida em algum lugar na cabeça, mas Matt que a trouxe à superfície. Vai entender. Ah, e a canção é ótima.
4 - United States of Eurasia+Collateral Damage - O título deixa mais do que claro o tema político. "Por que separar esses Estados se eles só podem ser um?" canta ferozmente sob uma guitarra e batera no mais óbvio tributo à Queen que já ouvi. Simplesmente não tem como não lembrar. Mais uma vez, pegam pesado na experimentação, brincando com piano clássico e violinos, mas a guitarra está ali também. Quando termina, a canção emenda em Collateral Damage, faixa instrumental que faz um mini cover de... esqueci o nome do cara, mas é famoso no mundo clássico. Ao fundo, sons de crianças brincando, enquanto jatos voam sobre suas cabeças. O jato chega cada vez mais perto, até que não se ouvem mais crianças. Eeee...
5 - Guiding Light - Bateria marcante, sintetizadores românticos e poderosos. Lembra uma daquelas baladas que bandas de Metal faziam nos anos 80. A guitarra chega chegando, mostrando mais uma vez a facilidade com que Matt desvenda esses riffs simples mas grudentos. É a quinta música e o nível não cai.
6 - Unnatural Selection - Órgãos. Sei lá por quê, O Fantasma da Ópera vem à cabeça, mas só por uns segundos. A guitarra dessa vez é a alma da faixa, num riff tão furioso quanto o de New Born. A paulera parece não aliviar, mas daí, o ritmo sofre uma mudança brusca, fica mais lento, num clima sonhador. Matt brinca com microfonias, como se improvisasse. Talvez essa parte lenta demore mais do que deveria. Assim que você esqueceu o quanto a música estava pesada, o riff do começo volta rasgando e tudo termina num satisfatório quebra pau.
7 - MK Ultra - Uma mistura de Plug In Baby com The Small Print (ou Tsp). Tanto é pesada quanto leve. Tão líricamente linda quanto violenta. O riff principal é de uma beleza cortante, assim como os versos. "Um universo preso dentro de uma lágrima", ele canta. A melhor do disco na minha opinião.
8 - I Belong To You - A mais fraquinha do disco. Não é ruim, mas é longa demais e destoa do resto do álbum. Ainda mais próxima do R&B que Supermassive Black Hole, tem direito até a um bem colocado solo de... clarinete. A versão remixada para o filme Lua Nova não é tão radical, mas é melhor.
9 - Exogenesis Part I Overture - Começou a tão esperada sinfonia. Exogenesis é o nome de uma teoria de criação do universo, de que a vida surgiu em algum lugar no universo e eventualmente chegou ao nosso planeta Terra (Exo = de fora, Genesis = Origem). Só isso já dá um ranço épico ao todo. Começa com violinos tensos, crescendo ao fundo, enquanto o som vai ficando mais denso. Logo vem a batida, o grave lembrando um coração batendo, o agudo com eco, como se estivesse se dissipando para o infinito. Matt canta em falsete quase o tempo todo, dizendo que não consegue perdoar. Murmura de forma quase ininteligível "quem somos, o que somos, onde estamos". Sugere o começo de tudo, ou o fim.
10 - Exogenesis Part II Cross Pollination - Esta segunda parte é mais agressiva e direta. O início poderia ser facilmente confundido com uma sinfonia das raízes da música clássica pelos desavisados, mas assim que Matt entra, não há duvida que é Muse. O refrão é poderoso, criando uma empatia com o ouvinte, como se a mensagem fosse diretamente para nós (será que não é?): "Espalhe nossos códigos às estrelas, você deve nos resgatar, diga-nos seu útimo desejo, agora que sabe que nunca poderá voltar". E você não volta.
11 - Exogenesis Part III Redemption - A mais bela. A calmaria se percebe desde o começo, com o piano tranquilo, levemente reverbado (efeito melhor percebido com fones), clamando por lágrimas sinceras. Pacientemente, a aura de tranquilidade se constrói, ficando sólida, e então, cantam junto: "Vamos começar de novo, por que não começar de novo? Vai ser bom...".

Acaba. Parece que um filme terminou. Só escutando com atenção para listar a quantidade de emoções que se passam nestas últimas três faixas. A própria banda brinca, dizendo que há tempos lançam sinfonias de 50 minutos, não álbuns.
The Resistance é um disco fácil de escutar, mesmo que a sinfonia e o apelo clássico intimide de cara. Assim como eu, talvez você se encontre baixando Mozart um dia.
Nota: 8,5/10

OBS: Destaque para a linda magnífica grandiosa capa, que chegou a ganhar prêmios. Até coloquei maior (risos).

As três primeiras faixas pra vocês (em ordem):
Uprising:


Resistance:


Undisclosed Desires: